Nesta manhã, estive num hospital para consultar um oftalmologista para obter uma receita e substituir as lentes danificadas do meu óculos. Enquanto esperava, outra paciente passou por mim e me cumprimentou falando “bom dia, rapazinho”! Estou de cabelo curto, recém cortado, e barba feita, o que rejuvenesce minha aparência, mas já sou um idoso de 62 anos. Saber que esse cumprimento foi pela associação entre paralisia cerebral e infantilidade não me impediu de achar aquilo estranho e engraçado.
Quando contatei o estofador para restaurar minha cadeira adaptada, disse expressamente que o motivo da adaptação era ter uma deficiência física. Ele veio busca-la, me viu pessoalmente pela primeira vez, fez a restauração, voltou para entrega-la e, ao ir embora, perguntou à minha enteada mais nova “esse Ronaldo é o mesmo que fala comigo pelo WhatsApp?” – fiquei espantado com essa dissociação. Desde que a autocorreção dos aplicativos de teclado ficou boa, deixei de digitar com as abreviaturas que eram comuns em conversas virtuais e passei a usar um português “correto”, além de conciso e claro – para minimizar a dificuldade envolvida –, o que pode dar uma ideia que não combina bem com a visão de alguém que se locomove engatinhando, tem descoordenação motora, etc.
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